É provável que o MeUGamer tenha sido um dos primeiros sites brasileiros a comentar sobre MOUSE: P.I. For Hire, na época intitulado apenas de MOUSE. O título ganhou os holofotes devido à perda dos direitos autorais da Walt Disney sobre a versão original do Mickey Mouse — do curta Steamboat Willie, de 1928 — em 1º de janeiro de 2024, após 95 anos. Com isso, o personagem entrou em domínio público, permitindo o uso da imagem, mas apenas daquela versão em preto e branco.
Dessa forma, muitos produtores começaram a desenvolver produções de baixo orçamento inspiradas nos traços dos personagens desse curta. A desenvolvedora Fumi Games menciona que não foi diretamente inspirada no Mickey, mas utiliza a mesma técnica noir da personagem Betty Boop. Ainda assim, não é preciso ser o rei da dedução para notar que o lançamento do jogo coincide com a queda dos direitos autorais do clássico de 1928.
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MOUSE: P.I. For Hire recebeu críticas altíssimas na plataforma da Valve, o Steam, na versão para PC Windows. Com mais de 91% de avaliações positivas entre milhares de jogadores, o pico só no lançamento foi de 13.755 — quase 14 mil usuários simultâneos. O preço do jogo base no lançamento foi de R$ 88,99: não é dos mais caros, mas também está longe de ser dos mais baratos. Mesmo assim, despertou a atenção dos jogadores.

Um noir dos anos 30 dentro do seu console e PC
Estamos falando de um verdadeiro shoot ‘em up. Há uma história, mas o objetivo é eliminar toda ameaça que apareça à sua frente. Essa premissa acaba gerando argumentos frágeis por parte de alguns setores que, na verdade, não possuem capacidade de crescer sozinhos. Como a visibilidade de seus leitores é nula nesses argumentos, sempre tentam criar uma causa para conseguir engajamento nas plataformas digitais. É óbvio que MOUSE: P.I. For Hire se tornaria uma nova problemática para os que desejam ser paladinos da moralidade.
A insanidade e a intensidade da gameplay são tão instigantes que há momentos quase impossíveis de passar sem receber danos dos minions. Ao adentrar na cidade, percebemos que estamos dentro de um jogo onde o protagonista é o canastrão — e todos querem eliminá-lo. Tudo isso traz a essência de títulos e filmes que há muito não víamos na indústria cinematográfica e dos games.

O elemento noir é um charme que suaviza o impacto das ações do detetive particular Jack Pepper. Compreendo que, se o jogo tivesse cores, poderia atrair mais jogadores. Porém, a proposta nunca foi essa — quem sabe, no futuro, uma atualização traga essa possibilidade, embora eu considere improvável. De todo modo, esse sucesso abre margem para conteúdos adicionais que fortaleçam a base de fãs que está sendo construída.
Quanto à brutalidade do enredo, ela não foge do cotidiano exibido nos noticiários. O jogo jamais incentiva algo nocivo; ao contrário, mostra o quanto certas coisas são erradas e quais são suas causas. Dizer que esse tipo de debate é inédito é não ter vivido os anos 90, com jogos como Carmageddon, Duke Nukem e Shadow Man — época em que pessoas e autoridades tentavam imputar acontecimentos reais a esses títulos.
Hoje, no entanto, sabemos que essas causas estão mais relacionadas ao aspecto psicológico do indivíduo do que a uma influência deliberada dos jogos. Da mesma forma, MOUSE: P.I. For Hire não tem esse poder de determinar as decisões de quem joga. Por isso, afirmo que as reclamações são fracas demais para que o jogo seja condenado por uma minoria que se acredita a voz da razão.
Os desenvolvedores estão de parabéns por agregarem à indústria dos games com uma dinâmica satisfatória e aquele clima clássico dos filmes de gângster dos anos 30. Referências como o icônico Scarface (1932), protagonizado por Paul Muni como Tony Camonte, Little Caesar com Edward G. Robinson, e Inimigo Público (1931) com James Cagney — indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original — estão presentes em cada detalhe.

MOUSE: P.I. For Hire Vale Seu Dinheiro?
Todas essas inspirações são perceptíveis, colocando o jogador em imersão completa: na ação, nos diálogos e no desenrolar da trama. Se você é fã de jogos com intensidade na ação como os da franquia DOOM — mesmo que a temática seja diferente —, com uma história interessante e game design cartunizado, o investimento vale a pena.
Pessoal que está lendo e entrou aqui apenas para criticar este artigo: recomendo jogarem mais e aproveitarem toda a lore para descarregar as frustrações nos jogos, e não na vida real. Assim, terão menos estresse e uma vida mais tranquila para viver em paz.
Por fim, MOUSE: P.I. For Hire está disponível desde 16 de abril de 2026 nos consoles PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2.
