A BioWare está oficialmente fechada. Agora, a dúvida é o que a Electronic Arts fará com franquias como Mass Effect e Dragon Age. A empresa vai manter essas propriedades intelectuais sob seu controle, mesmo sem um estúdio dedicado a elas, ou poderá vendê-las para alguém disposto a dar continuidade a essas histórias?
Sabemos que Mass Effect e Dragon Age construíram uma enorme base de fãs e têm valor comercial. Apesar de Dragon Age: The Veilguard não ter alcançado as expectativas de vendas da EA, a franquia ainda tem potencial. Um novo jogo que recuperasse suas origens poderia conquistar novamente o público. O mesmo vale para Mass Effect, uma série que marcou gerações de jogadores.
O quinto Mass Effect foi anunciado em 2020 e, desde então, os fãs aguardavam novidades sobre o projeto. Durante anos, a expectativa era de que o jogo estivesse avançando em seu desenvolvimento. Em outubro de 2026, porém, a realidade veio à tona. A própria Electronic Arts confirmou que uma pequena equipe ainda trabalhava nos estágios iniciais do projeto e decidiu encerrar o desenvolvimento.
A decisão veio acompanhada do fechamento da BioWare e de uma reestruturação que prevê cerca de 400 demissões na EA, incluindo aproximadamente 50 funcionários do estúdio. Embora a empresa tenha afirmado que ajudaria os profissionais afetados a encontrar oportunidades internas, não há confirmação de que a equipe de Mass Effect tenha sido realocada para outro projeto. Depois de seis anos desde o anúncio, a franquia ficou sem o jogo que os fãs esperavam.

A Amazon poderia fazer pela BioWare o que tenta fazer com Tomb Raider?
Outras franquias conhecidas também passaram por mudanças de comando. Tomb Raider é um exemplo de série com uma base fiel de jogadores, mesmo depois de diferentes fases e reformulações. A Crystal Dynamics, que fazia parte da Square Enix, passou para o grupo Embracer e firmou uma parceria com a Amazon Games para desenvolver o próximo jogo da franquia.
A movimentação me faz pensar se a Amazon poderia fazer algo semelhante com Mass Effect. A empresa já está trabalhando em uma série de televisão baseada na franquia. Será que, no futuro, também poderia se interessar pelos jogos e buscar uma parceria ou até uma negociação pelos direitos da propriedade intelectual?
É uma possibilidade que vale considerar, embora não exista confirmação de que a Amazon esteja negociando a compra de Mass Effect ou da própria BioWare. A Electronic Arts ainda controla suas franquias e pode optar por mantê-las sob sua administração, procurar outro estúdio para desenvolver novos jogos ou negociar os direitos com outra empresa.
Sabemos que Mass Effect e Dragon Age têm valor comercial, mesmo com os problemas enfrentados nos últimos lançamentos. Uma franquia com uma base tão grande de fãs não precisa necessariamente desaparecer porque seu estúdio original fechou. Mas será que a EA está disposta a investir novamente nessas séries ou prefere concentrar seus recursos em outros projetos?
Também é preciso considerar a mudança de controle da Electronic Arts e como as decisões dos novos proprietários poderão influenciar suas franquias. Existem diferenças culturais e possíveis divergências sobre temas abordados nas histórias da BioWare, incluindo questões de gênero e representatividade. Não dá para afirmar que isso determinará o futuro das séries, mas são fatores que podem entrar nas discussões sobre os próximos investimentos da empresa.
Na minha opinião, empresas como a Amazon poderiam representar uma alternativa para franquias que precisam de uma nova oportunidade. A Netflix também já encerrou estúdios de games, mas continua buscando maneiras de ampliar sua presença no setor. Talvez alguma dessas empresas encontre uma oportunidade de negócio em propriedades intelectuais conhecidas que ficaram sem uma equipe original dedicada a elas.
Mass Effect precisa recuperar suas origens
Pensando com otimismo, o próximo Mass Effect precisa olhar para aquilo que tornou a trilogia tão marcante. Mass Effect 2 é uma referência importante, principalmente pela construção dos personagens, pelos diálogos e pelas decisões que envolvem o jogador.
Mass Effect: Andromeda dividiu opiniões e recebeu críticas relacionadas à narrativa e aos diálogos. Se um futuro jogo repetir os mesmos problemas, a franquia poderá perder ainda mais espaço. O que os fãs esperam não é apenas um novo capítulo, mas uma história que recupere a identidade da série.
O mercado tem outros jogos de ficção científica que exploram elementos semelhantes. Ao olhar para alguns desses títulos, é possível perceber como a combinação de ação, exploração espacial e ficção científica continua despertando o interesse dos jogadores. Ainda assim, Mass Effect tem características próprias, especialmente na maneira como conecta seus personagens, as escolhas do jogador e os acontecimentos de seu universo.
Por isso, acredito que recuperar a essência dos primeiros jogos seria fundamental. Profissionais que participaram diretamente da construção da trilogia poderiam contribuir para esse retorno. Principalmente aqueles que compreenderam como desenvolver personagens marcantes e histórias capazes de envolver o público.
Não basta, porém, reunir nomes conhecidos. É preciso que as pessoas responsáveis pelo projeto deixem o próprio ego de lado e trabalhem pensando no que tornou a franquia especial. Uma boa história, diálogos bem escritos e decisões com consequências são elementos que podem fazer a diferença entre um retorno marcante e mais uma tentativa frustrada.
Mass Effect 2 mostrou como personagens bem construídos podem se tornar parte da memória dos jogadores. É essa ligação que gostaria de ver novamente, em vez de diálogos rasos e histórias que não conseguem transmitir o peso das escolhas. Se a franquia voltar, precisa ter algo relevante a contar.
Quem poderia assumir essa responsabilidade?
Não estou afirmando que a Amazon, Netflix ou outras Big Techs comprará Mass Effect. Entretanto, diante do fechamento da BioWare e do cancelamento do projeto que estava em desenvolvimento, faz sentido considerar se outra empresa poderia se interessar pela franquia no futuro.
A EA pode continuar controlando os direitos e procurar outra equipe para trabalhar em um novo jogo. Também pode optar por não investir em um novo capítulo por vários anos. Uma negociação com outra empresa seria outro caminho possível, caso os proprietários considerem essa alternativa interessante para os negócios.
Minha preocupação é que Mass Effect passe mais uma década sem um novo jogo. A franquia já tem uma história consolidada e uma legião de fãs que espera por uma continuação capaz de recuperar o que havia de melhor na trilogia. Perder o estúdio original não significa que tudo o que ele construiu precise ficar parado para sempre.
Mas o investimento, por si só, não garante um bom resultado. O próximo jogo precisaria de um roteiro capaz de envolver os fãs antigos e também conquistar quem ainda não conhece a série. A combinação de ficção científica, RPG, ação e personagens marcantes continua tendo espaço na indústria, desde que exista uma história que justifique esse retorno.
No fim, gostaria de ver Mass Effect voltar às suas origens, com uma equipe que compreenda o peso dessa franquia e tenha liberdade para construir uma história memorável. Seja com a própria EA, seja por meio de uma futura parceria, o importante é que alguém esteja disposto a tratar essa propriedade intelectual com o cuidado que ela merece.
Seus jogos atualmente estão disponíveis para PC Windows via Steam e Epic Game Store além de Playstation, Xbox e também no EA Play.
