Aphelion sofre dos mesmos problemas dos últimos jogos da Don’t Nod

Com menos de 300 jogadores online no lançamento, Aphelion merece mais do que o mercado está disposto a oferecer

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Aphelion vem sofrendo dos mesmos problemas dos últimos jogos da DON’T NOD na indústria. No começo, especialmente com o primeiro Life is Strange (2015), a empresa conseguiu vender muito com a franquia. Naquele período não havia uma polarização tão forte como a que surgiu no início dos anos 2020.

A empresa virou sinônimo de jogos que querem educar as pessoas sobre como tratar umas às outras. Mas educar é complicado — ninguém gosta de ouvir conselho nem dos próprios pais. Na prática, jogadores com interesse por ficção científica acabam não dando espaço a esta nova IP do estúdio francês. O que, na minha visão, é uma pena: o jogo carrega um contexto interessante, especialmente pela curadoria da Agência Espacial Europeia (ESA), que trouxe elementos que enriquecem a experiência.

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Ariane e Thomas são dois astronautas que pousam forçosamente em um planeta nos confins do sistema solar, trazendo um ambiente gélido que remete ao próprio conceito do afélio — ponto da órbita mais distante do Sol, e também a origem do nome do jogo. Apesar de haver uma criatura desafiadora no enredo, a proposta, quando li o primeiro material divulgado, não era entregar ação intensa, ao contrário de SAROS, da Housemarque, que chega na mesma semana. Como alguém que acompanha a astronomia amadora e que acompanhou o retorno de astronautas à órbita lunar após décadas, entendo que só na ficção um ser humano pisaria em um planeta desconhecido sem qualquer preocupação com seu estado físico.

O jogo está mais para uma exploração de cunho científico do que para um título de combate, ainda que a protagonista precise encontrar seu parceiro Thomas. Em termos de ritmo, Aphelion é de fato lento e possui muitos monólogos que funcionam como registros dos ambientes descobertos. A flora é limitada — algo esperado para um planeta com temperaturas abaixo de zero —, mas ainda assim há uma diversidade de ambientações durante a exploração.

Há momentos que poderiam ter apelo emocional, mas que escorregam para o clichê. Thomas Cross faz uma travessia por uma escada no melhor estilo Philippe Petit — O Equilibrista —, sofre uma queda que seria fatal em qualquer simulação realista, mas incrivelmente se segura. Acredito que a intenção da DON’T NOD e da ESA era uma narrativa de sobrevivência próxima à de Perdido em Marte (2015), de Ridley Scott, protagonizado por Matt Damon.

A trilha sonora é um ponto positivo claro: parece que estamos assistindo a um filme, não jogando. As sequências em que a criatura nos persegue e precisamos lutar pela sobrevivência são instigantes. O problema é que esse conceito não agrada o perfil de jogador que busca ação imediata e soluções providenciais a todo instante.

Aphelion Jogo
(Reprodução)

Na minha visão, se você encarar Aphelion como um simulador de dois astronautas em uma missão chamada Hope-01, vai gostar de se imaginar em um mundo novo. Agora, se chegar com a expectativa de diálogos de impacto imediato, pode se frustrar logo no início. Como a desenvolvedora não nos disponibilizou o jogo para análise, utilizei o Game Pass para ter uma ideia deste universo — e ainda assim, como admirador do espaço, fui atraído pela proposta. Vale notar que os cenários mais perigosos surgem quando jogamos com Ariane, enquanto os momentos com Thomas são mais calmos, o que pode dar a impressão de que ela é mais capaz. No entanto, isso é uma escolha de narrativa da desenvolvedora e não chega a ser um problema para quem conhece o estilo da empresa.

Pela gameplay e pelos gráficos — que considero bem elaborados —, e pela experiência relativamente curta, não acredito que o orçamento tenha sido o de um blockbuster AAA. As demissões recentes no estúdio parecem ter deixado marcas no desenvolvimento: dá a sensação de que faltaram elementos narrativos que um orçamento maior permitiria incluir. Ainda assim, Aphelion tem seu valor ao explorar o imaginário de como seria o primeiro contato da humanidade com um planeta desconhecido. Locais ermos cuja topografia precisa ser estudada com cuidado, onde a ajuda é precária e o perigo é constante — e onde nenhuma civilização chegaria despreparada.

Por fim, Aphelion está disponível para PC no Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X|S, além do Xbox Game Pass.

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Jefão Calheiro
Jefão Calheiro
Apaixonado por games, filmes de ficção científica, séries e tudo que envolve tecnologia e inovação, com mais de 15 anos de experiência comentando e analisando esses temas. Além disso, sou curioso por astronomia e, nas horas vagas, tento observar o cosmos como um astrônomo amador. Acredito no poder das opiniões e no respeito à diversidade de pensamentos. Em minhas análises, busco compartilhar conhecimento de maneira clara e acessível, ajudando o público a se conectar com as novidades do mundo do entretenimento e da tecnologia. Ah, e como bom flamenguista, vibro junto com o maior clube brasileiro, o Flamengo! Vamos, gamernéfilos, porque todo dia tem novidade nesse universo em constante expansão. =)

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