Para quem cresceu acompanhando Super Campeões e viu Oliver Tsubasa, cujo nome original no Japão é Tsubasa Ozora, perseguir o sonho de se tornar um jogador de futebol de nível mundial, é difícil não criar expectativa quando um novo jogo da franquia é anunciado. Afinal, estamos falando de uma série que marcou diferentes gerações e transformou partidas de futebol em verdadeiros espetáculos com chutes impossíveis, defesas exageradas e jogadas coordenadas.
Mas Captain Tsubasa II: World Fighters chegou ao PC e, pelo menos no Ocidente, não conseguiu atrair a quantidade de jogadores que se esperava de uma franquia tão conhecida. Na minha visão, o desempenho no Steam mostra que a Bandai Namco terá de repensar sua estratégia caso realmente queira manter a série relevante nos videogames.
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World Fighters não conseguiu repetir o sucesso do antecessor no PC
Os números disponíveis no SteamDB ajudam a entender melhor essa situação. Captain Tsubasa – Rise of New Champions chegou a um pico máximo de 4.442 jogadores simultâneos no PC e possui aprovação de aproximadamente 70% em mais de 6 mil avaliações na Steam.
Já Captain Tsubasa II: World Fighters não chegou perto desse resultado. O jogo registrou 1.551 jogadores simultâneos em seu lançamento, uma diferença considerável quando colocamos os dois títulos lado a lado.

É importante deixar claro que esses números não representam vendas. Os dados do SteamDB mostram informações relacionadas ao desempenho do jogo na plataforma, como jogadores simultâneos, além de dados referentes a usuários que adicionaram o título à lista de desejos e acompanham suas atualizações. Ainda assim, são indicadores interessantes para observar o nível de interesse que o lançamento conseguiu despertar entre os jogadores de PC.
Essa análise exibe um dos principais problemas de World Fighters: a continuação parece ter chegado sem conseguir criar o mesmo interesse que seu antecessor.
O jogo permite criar o próprio personagem e tenta ampliar a experiência para além dos personagens conhecidos da franquia. Porém, alguns comandos de interface e determinadas mecânicas passam uma sensação de terem sido moldados pensando em uma experiência mais próxima dos jogos de celular.
Não significa que World Fighters seja um jogo mobile ou que tenha sido desenvolvido dessa maneira. A questão é a tendência de mercado. Cada vez mais vemos jogos de futebol como eFootball e EA Sports FC, antigo FIFA, adotando estruturas que priorizam partidas rápidas, menus, progressão e sistemas que também conversam com o público acostumado ao mobile.
No caso de Captain Tsubasa, porém, acredito que isso acaba tirando um pouco da identidade que poderia fazer a franquia se destacar.
Falta de português brasileiro também pesa contra o jogo
Outro ponto que chamou minha atenção está nas reclamações dos próprios jogadores na Steam, principalmente entre usuários brasileiros: a ausência de localização em português do Brasil.
Captain Tsubasa II: World Fighters não conta com português brasileiro na interface, nas legendas ou na dublagem. O problema fica ainda mais evidente quando lembramos que Rise of New Champions tinha interface e legendas localizadas para o nosso idioma. E aqui existe uma situação particularmente curiosa.
Tsubasa tem uma relação muito conhecida com o futebol brasileiro dentro da própria história. O personagem joga no São Paulo por um bom período durante sua trajetória. Mesmo assim, World Fighters chega sem oferecer ao público brasileiro sequer uma localização básica.

Não dá para afirmar que essa decisão ocorreu por causa das vendas ou da expectativa comercial do jogo. Mas é inevitável questionar a estratégia. Principalmente porque estamos falando de uma franquia que possui uma ligação muito forte com o futebol brasileiro e que, historicamente, encontrou no país uma base de fãs bastante interessada em Super Campeões.
Para mim, é uma oportunidade perdida.
Não estou dizendo que uma tradução para português brasileiro faria o jogo automaticamente vender milhares de cópias. Mas oferecer interface e legendas no idioma de um público que possui uma relação tão próxima com o personagem seria, no mínimo, uma maneira de aproximar o jogo dessa comunidade.
A concorrência também mostrou que existe espaço para anime de futebol
Outro fator que não pode ser ignorado é o momento atual dos jogos de futebol inspirados em anime.
INAZUMA ELEVEN: Victory Road, da LEVEL5, conseguiu uma recepção muito mais expressiva, chegando a vender milhares de cópias no primeiro dia de lançamento, conforme os dados que acompanhei. Com picos de 52.795 mil jogadores simultâneos na plataforma da Valve. Além disso, o jogo conta com uma quantidade maior de atletas disponíveis, um modo online interessante e um enredo que consegue prender o jogador.
Essa comparação é importante justamente porque mostra que existe público para esse tipo de gênero.

Não é simplesmente uma questão de dizer que os jogadores não querem mais jogos de futebol com personagens de anime. Eles querem, sim. A diferença está em como cada franquia apresenta sua experiência e no que consegue entregar muito mais que uma nostalgia.
Captain Tsubasa tem uma vantagem enorme nesse sentido: possui décadas de história e personagens reconhecidos. Os exageros que conhecemos do anime estão todos ali, com chutes especiais, defesas absurdas e ataques coordenados.
O problema é que isso, sozinho, talvez não seja mais suficiente.
A nova geração de jogadores precisa encontrar algum elemento que ultrapasse da lembrança de ter assistido ao anime.
A Bandai Namco precisa encontrar uma nova fórmula para Captain Tsubasa
Acredito que a Bandai Namco terá de pensar em novas estratégias se quiser continuar investindo nessa franquia.
Captain Tsubasa ainda possui uma identidade muito forte. O universo criado em torno da jornada de Tsubasa, sua evolução como atleta e sua busca por se tornar um jogador de futebol de nível mundial continuam funcionando. O problema está em transformar esse material em uma experiência que consiga conquistar quem já conhece a série e, principalmente, quem está chegando agora.
World Fighters poderia ser essa porta de entrada afetiva.
Mas, olhando para o desempenho no PC ocidental, não parece ter conseguido cumprir esse papel.
E isso é desapontador para quem sempre admirou Super Campeões. Não estamos falando de uma franquia desconhecida tentando encontrar seu espaço. Estamos falando de uma obra que marcou jovens ao redor do mundo e que possui uma identidade extremamente fácil de reconhecer.
Por isso, ver o jogo chegar ao PC e registrar apenas 1.118 jogadores simultâneos em seu lançamento chama atenção.

Também existe a questão das avaliações. Com quase 200 reviews na Steam, World Fighters apresenta críticas mistas, com jogadores elogiando alguns aspectos enquanto outros apontam problemas e decisões que não agradaram.
Quando colocamos esses dados ao lado do desempenho de Rise of New Champions, a diferença fica ainda mais evidente.
Talvez o problema não esteja na franquia. Talvez esteja na maneira como ela está sendo apresentada.
O futuro de Super Campeões nos videogames
Ainda é cedo para dizer qual será o futuro de Captain Tsubasa nos videogames, principalmente porque World Fighters também foi lançado para PlayStation 5, Xbox Series e Nintendo Switch. O desempenho no PC ocidental não necessariamente representa o resultado obtido em todas as plataformas.
Mas, para mim, o sinal de alerta está aceso.
A Bandai Namco possui uma franquia com personagens reconhecidos, uma história conhecida e uma quantidade enorme de material para explorar. O que falta é encontrar uma forma de transformar tudo isso em algo que surpreenda novamente.
Não basta apenas colocar Tsubasa em campo e reproduzir os chutes que conhecemos do anime. Isso é importante, mas precisa existir uma evolução ao redor dessa fórmula.

A ausência de português brasileiro também pesa nessa discussão. Ainda mais quando lembramos da ligação do personagem com o Brasil e do fato de o antecessor ter recebido interface e legendas em nosso idioma.
Por fim, Captain Tsubasa II: World Fighters acaba deixando uma pergunta incômoda: será que a Bandai Namco ainda sabe como apresentar essa franquia para uma nova geração?
Como fã de Super Campeões, espero que sim. Entretanto, os números do PC no ocidente mostram que alguma coisa precisa mudar.
Captain Tsubasa II: World Fighters está disponível desde 28 de agosto de 2026, para PlayStation 5, Xbox Series, Nintendo Switch e PC Windows via Steam.
Nota editorial: Este conteúdo é uma produção editorial própria do MeUGamer. Não autorizamos o uso desta publicação para fins de clipping ou apresentação de resultados por assessorias de imprensa, especialmente em ações relacionadas à divulgação do jogo. O MeUGamer não recebeu uma chave de acesso para realizar uma review do título.
